Como Funciona a Importação no Brasil: Passo a Passo Atualizado

A importação no Brasil ainda é vista por muitas pessoas como um processo extremamente complexo, caro e arriscado. Essa percepção não surge por acaso. A burocracia, a quantidade de regras e o desconhecimento sobre os procedimentos fazem com que muitos empresários, profissionais e iniciantes desistam antes mesmo de tentar.

No entanto, a realidade é diferente: importar no Brasil é totalmente viável, legal e estratégico, desde que o processo seja bem planejado e executado corretamente. Empresas de todos os portes importam diariamente matérias-primas, equipamentos, insumos e produtos acabados, reduzindo custos, aumentando a competitividade e acessando tecnologias que não existem no mercado nacional.

Neste artigo, você vai entender como funciona a importação no Brasil passo a passo, com uma abordagem prática, clara e atualizada. O objetivo é que, ao final da leitura, você tenha uma visão completa do processo e consiga identificar exatamente o que precisa ser feito para importar com segurança.


O que é Importação e por que ela é tão importante?

Importação é o processo de entrada legal de mercadorias ou serviços estrangeiros no território nacional, de forma definitiva ou temporária.

Ela é essencial para o funcionamento da economia brasileira, pois permite:

  • Acesso a tecnologias e equipamentos avançados
  • Redução de custos de produção
  • Aumento da competitividade das empresas
  • Diversificação de fornecedores
  • Atendimento a demandas que o mercado interno não supre

Sem a importação, muitos setores da indústria, do comércio e até do agronegócio simplesmente não funcionariam.


Quem pode importar no Brasil?

Uma das maiores dúvidas de quem está começando é: qualquer pessoa pode importar?

A resposta é: sim, desde que cumpra alguns requisitos legais.

Pessoas jurídicas

Empresas com CNPJ ativo podem importar, desde que estejam:

  • Regularizadas fiscalmente
  • Com atividade compatível no contrato social
  • Habilitadas no RADAR SISCOMEX

Pessoas físicas

Também podem importar, mas apenas em situações específicas e geralmente para uso próprio, não para revenda.

Na prática, a grande maioria das operações de importação comercial é feita por empresas.


Passo 1: Planejamento da Importação

O planejamento é a etapa mais importante de todo o processo. É aqui que muitos erros começam — ou são evitados.

Antes de importar, é fundamental responder perguntas como:

  • Qual produto será importado?
  • Existe demanda real para esse produto?
  • O custo final será competitivo?
  • O produto tem restrições ou exigências especiais?
  • Vale mais a pena importar ou comprar no mercado interno?

👉 Exemplo prático:
Uma empresa decide importar um equipamento mais barato da Ásia, mas não considera o custo de impostos e logística. No final, o produto sai mais caro do que o nacional.


Passo 2: Classificação Fiscal da Mercadoria (NCM)

A classificação fiscal, por meio da NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), é um dos pontos mais críticos da importação.

A NCM define:

  • Quais impostos incidem sobre o produto
  • Se há necessidade de licenças
  • Quais órgãos anuentes estão envolvidos
  • Se o produto tem tratamento administrativo especial

Um erro na NCM pode gerar:

  • Multas
  • Atraso no desembaraço
  • Pagamento indevido de impostos

Por isso, essa etapa deve ser feita com extremo cuidado.


Passo 3: Habilitação no RADAR SISCOMEX

Para importar no Brasil, a empresa precisa estar habilitada no RADAR SISCOMEX, sistema da Receita Federal que autoriza operações de comércio exterior.

Tipos de RADAR:

  • RADAR Expressa: operações de baixo valor
  • RADAR Limitada: com limite anual de importação
  • RADAR Ilimitada: sem limite de valor

A escolha do tipo correto depende da capacidade financeira da empresa e do volume das operações.


Passo 4: Negociação Internacional com o Fornecedor

Nesta etapa ocorre a negociação comercial com o fornecedor estrangeiro. Alguns pontos fundamentais são definidos aqui:

  • Preço da mercadoria
  • Quantidade
  • Prazo de entrega
  • Forma de pagamento
  • Incoterm (regra internacional de comércio)

O que são Incoterms?

Incoterms são regras que definem quem paga o quê e até onde vai a responsabilidade do vendedor e do comprador.

👉 Exemplo:
No Incoterm FOB, o vendedor entrega a mercadoria no porto de origem. A partir dali, os custos e riscos são do importador.


Passo 5: Emissão da Fatura Comercial e Documentos

Após a negociação, o fornecedor emite a Fatura Comercial (Invoice), documento fundamental da importação. Além dela, outros documentos podem ser exigidos:

  • Packing List
  • Certificados específicos
  • Conhecimento de embarque (BL, AWB ou CRT)

Qualquer erro nesses documentos pode atrasar o processo.


Passo 6: Embarque da Mercadoria no Exterior

Com os documentos emitidos, a mercadoria é embarcada no país de origem. O transporte pode ser:

  • Marítimo
  • Aéreo
  • Rodoviário
  • Multimodal

A escolha do modal influencia diretamente o custo e o prazo da importação.


Passo 7: Chegada da Mercadoria ao Brasil

Quando a mercadoria chega ao Brasil, ela fica sob controle da Receita Federal até que o processo de importação seja concluído.

Nesse momento, é fundamental:

  • Ter todos os documentos corretos
  • Conferir a carga
  • Registrar a declaração de importação

Passo 8: Registro da Declaração de Importação (DI ou DUIMP)

A Declaração de Importação é registrada no SISCOMEX e reúne todas as informações da operação:

  • Dados do importador
  • Dados da mercadoria
  • Valores
  • Impostos
  • Documentos

Após o registro, a mercadoria passa por um canal de conferência.


Passo 9: Parametrização e Desembaraço Aduaneiro

A Receita Federal define o canal de conferência:

  • Canal Verde: liberação automática
  • Canal Amarelo: conferência documental
  • Canal Vermelho: conferência documental e física
  • Canal Cinza: suspeita de fraude

Após a conferência, ocorre o desembaraço aduaneiro, liberando a mercadoria.


Passo 10: Retirada e Entrega da Mercadoria

Com o desembaraço concluído, a mercadoria pode ser retirada do recinto alfandegado e entregue ao importador.

Nesse momento, a operação de importação está oficialmente finalizada.


Principais Erros na Importação

Alguns erros são extremamente comuns:

  • Falta de planejamento tributário
  • Erros na NCM
  • Escolha errada do Incoterm
  • Documentos inconsistentes
  • Subestimar custos logísticos

Evitar esses erros é o que separa uma importação bem-sucedida de um grande prejuízo.


Importar no Brasil é Arriscado?

Importar não é arriscado por natureza. O risco está na falta de conhecimento e planejamento.

Quando o processo é bem estruturado, a importação se torna uma ferramenta poderosa para crescimento empresarial e desenvolvimento profissional.


Conclusão

Entender como funciona a importação no Brasil é essencial para quem deseja atuar no comércio exterior ou trazer produtos do exterior de forma legal e segura. O processo exige atenção, organização e conhecimento técnico, mas está longe de ser impossível.

Quanto mais você domina as etapas, mais controle você tem sobre custos, prazos e riscos.


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